Editorial

A política é feminina assim como a democracia

É preciso ter a alma aberta, um olhar sensível e coragem para resistir e insistir no jornalismo que conta a verdadeira história de uma nação, a partir das pessoas comuns, ou simplesmente anônimas – quando não invisíveis. É pelo olhar desses personagens que se enxergam as reais cores e dores de um país como o Brasil.
Trata-se do jornalismo que não passa pelos palácios, nem por gabinetes, nem pelas fontes do mercado financeiro, ou pelos corredores do judiciário, tampouco, escrito pelas grandes redações da grande mídia nacional.
O jornalismo e, principalmente a reportagem, são imprescindíveis quando o assunto é a narração da realidade dos brasileiros. Não há nenhuma narrativa que possa substituir a reportagem como documento sobre a história em movimento. O que se espera do escritor é que ele seja capaz de resistir e fazer a reportagem no momento em que, por todas as razões, é mais difícil fazer reportagem. Esse desafio e experiência molda o melhor profissional, aquele que está na rua ouvindo histórias reais e fazendo a narrativa de forma direta.
O arrojo, o heroísmo e o orgulho foram reservados para os homens. São masculinos. E no entanto, é no meio feminino que os conceitos mais nobres da humanidade são reproduzidos, como a paz e a esperança, junto com a criatividade, a arte e a cultura. Feminina é a vida. São as mãos que curam, abraçam e nutrem. A luz é mulher, assim como a poesia.
O mundo escureceu quando os homens masculinizaram os deuses que se tornaram violentos. A política é feminina, assim como a democracia. E no Brasil, poderá ser as mulheres que desenvolverão a esperança a está sociedade. A liberdade, como a igualdade, é profundamente feminina, e as mulheres brasileiras desempenham um papel político lutando para manter um país mais digno para viver em paz.


Dia da Mulher de 2019

Sempre fomos, o que disseram que nós, mulheres, éramos.

Agora, somos nós que dizemos o que nós, mulheres, somos!

Sem dúvida alguma o dia da Mulher em 2019 marca um divisor de águas entre aquela mulher romântica que ficava aguardando o outro(a) reconhecer o seu desejo, ideais, frustrações, conquistas. Na comemoração do dia da Mulher de 2019, a própria Mulher quer se revelar; a revelação de ser Mulher por si só. Um ano que vai ser marcado pela exposição real da Mulher no sentido das discussões, da fala de lutas, antes caladas.

Falar sobre a condição da Mulher coloca toda uma sociedade atordoada pois, a Mulher até aqui se manteve atordoada para equilibrar tudo o que a sociedade colocou em seu colo. Neste 2019, toda a discussão da condição da Mulher traz à tona um fator antes desconhecido: quem consegue ‘representar’ a Mulher? Uma pergunta sem resposta. Quem pode falar em nome de cada Mulher?

Na representação não significa que todas tenham acesso a espaços discursivos privilegiados, nem que todas sejam capazes de produzir conhecimentos a partir de perspectivas neutras ou descoladas de seu ambiente social. Muito pelo contrário, o lugar de fala deve ser nomeado como forma de impulsionar as premissas não ditas, até então.

A mulher deve ser a primeira a falar de si. Nosso dever como Mulheres é ouvi-la. Somente ouvi- lá não é o suficiente. É preciso estar ao seu lado para falar junto com ela sobre a sua condição.

Falar com a Mulher e não apenas por ela e sobre ela, é o primeiro passo para a consolidação de uma solidariedade entre Mulheres.

Se é preciso ouvir antes de falar, é também nosso dever falar com responsabilidade sobre a condição da Mulher. A ética da solidariedade entre as mulheres é o que nos aproxima nesse dia da Mulher em 2019 e nos ajuda a entender que o desamparo não é mero destino. Este veículo deseja que você seja feliz por ser Mulher!


O controle da tecnologia e o mercado Gourmet mudará completamente a nossa alimentação

O prognóstico atualizado por José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, é de que está em curso no mundo uma transformação muito profunda no padrão de alimentação e nos sistemas agroalimentares. A conclusão aponta a diferenciação de produtos, a criação de pequenos nichos de mercado e a opção por circuitos curtos de transporte de alimentos, valorizando assim a capacidade de produção local. Aponta ainda, vai influenciar muito a economia da agricultura os investimentos em transporte e armazenamento. Desta forma é a alimentação e não propriamente a agricultura, que passará a ter muito mais valor para a população consumidora. As pessoas já estão valorizando muito mais o alimento em si do que o modo de produção.

A FAO declara que a fome não é mais um assunto do qual a instituição precisa ainda pesquisar para entender quais são os fatores desencadeante. Mas, a obesidade que é um mal para a saúde da população no mundo e vai afetar o futuro da alimentação, ainda é um desafio para ser desvendado e enfrentado.

A tecnologia mudou a rotina das nossas vidas, das nossas relações, e vai mudar a nossa vida de forma radical na área da alimentação num futuro muito próximo. Com a tecnologia avançando na alimentação, já é esperado a concentração do controle da tecnologia. O monopólio da tecnologia colocará em risco a produção da agricultura familiar pois, os pequenos produtores não conseguirão investir o suficiente para ter acesso na sua produção.
Quando a nossa agricultura passou por uma transformação nos anos 50, com a chamada “revolução verde”, a agricultura familiar teve acesso às novas formas de plantio e sementes de mercado, com a ajuda de políticas públicas, através de instituições públicas que os auxiliaram. Desta vez, será muito mais difícil diante dessa crise que assola o País e o desmantelamento do Estado brasileiro. Neste momento, não existe investimentos dessa envergadura para o pequeno agricultor fazer uso de novas tecnologias e seguir produzindo alimentos.

Na Itália, diante da crise econômica daquele País que se arrasta há quase uma década, os pequenos agricultores optaram por continuar produzindo alimentos com valor agregado, de qualidade, alimentos genuínos (aquele alimento que tem valor cultural, só se encontra naquele local), atraíram o turismo gastronômico.

O que já está previsto pela FAO é uma produção de uma cadeia de circuitos curtos, ou seja, ao sair da roça, os alimentos frescos não percorram longas distâncias para chegar até a mesa do consumidor. Alimentos como frutas, legumes, pescados e algumas carnes, devem chegar frescos, com menos custos de logística.

Já percebemos uma mudança de comportamento do consumidor no que se refere à alimentação. Por um lado, temos o grave problema da obesidade. Por outro lado, temos uma demanda por alimentos in natura e pessoas que comem por prazer e não para satisfazer a fome. Esse comportamento tem dado espaço para o mercado Gourmet. A palavra gourmet vem do vocabulário francês, caracteriza tudo aquilo que representa charme, elegância e sofisticação. É associada principalmente à gastronomia, a palavra é usada como adjetivo para qualificar e diferenciar a alta cozinha, através da elaboração de pratos exclusivos, refinados, com um toque de arte.

A transformação do alimento, requer mão de obra e técnica, o que encarece o alimento. Porque a medida que um alimento passa a ser conhecido, para além de onde é produzido, como o caso da quinoa – que ficou reconhecida internacionalmente – é comprada no Peru por um dólar e na Europa é vendida por dez dólares o quilo. Esse é o efeito do mercado Gourmet. A internacionalização da quinoa acabou inflacionando o preço do alimento no Peru. Um fato muito preocupante, já que a quinoa é um alimento muito importante na dieta dos peruanos.
Diante de tantas mudanças em relação à alimentação, cresce cada vez mais o comportamento de produzir o próprio alimento. Na Europa, em algumas cidades, onde esse comportamento é muito evidente já não se encontra mais alguns alimentos no supermercado por consequência do cultivo em casa.

Por aqui não está muito diferente. Se a pessoa não planta, tem o desejo de plantar o seu alimento – isso já é uma mudança de paradigma.

E não encontrar alguns produtos ou marcas nas gôndolas do supermercado, tem sido uma realidade nesse período de crise econômica, pelo fato do setor varejista comprar alimentos da indústria alimentícia, somente a aquisição que lhe renderem lucro. Desta forma, quem está decidindo o que vamos comer é o setor varejista. Hoje, se quisermos encontrar alimentos diferentes daqueles que o supermercado oferece, temos que plantar ou beneficiar. Ainda bem que o paradigma já foi alterado. Desta vez temos a escolha de plantar ou recorrer a quem já planta.


Os 3 cereais que nos alimentam a milênios

O trigo, o milho e o arroz seguem como base da dieta em um mundo que necessita de uma nova revolução agrícola, para dar de comer, cada vez mais de forma segura e sustentável.

Imaginemos que se cumprem 10 mil anos desde que um ser humano plantou – pela primeira vez – umas gramíneas silvestres em algum lugar do Oriente Médio. Para ser exato, foram umas sementes de Triticum – composição química de sementes de trigo (triticum aestivum L.) submetidos a estresse de salino na germinação – que tem por volta de 2.500 anos, depois deram lugar ao trigo. Aquilo foi seu rito fundamental na história da humanidade. Esse primeiro cultivo foi a origem da agricultura, o germe das cidades, o começo do sedentarismo, o primeiro momento do que temos sido e do que somos desde então.

Desde aquele momento, o homo sapiens era nômade e comia o que encontrava pelo caminho, caçava e pescava, como já sabemos. Cultivar e domesticar essas gramíneas, as que em poucos centenas de anos se somaram a variedades de arroz e aos antecessores do milho, em outras parte do planeta, foi o princípio do ser humano atual. Atrás do trigo chegaram ervilhas, grão de bico, lentilhas, cevada. Domesticaram também os animais como os porcos e ovelhas. O ser humano nunca mais olhou para trás. Mas voltamos a dar um grande salto no tempo – dez mil anos – e situamos agora um supermercado moderno de um país de rendimento chamado de rico. Um desses lugares onde encontramos alimentos de todos os tipos, sabores e cores. Encontramos carnes, verduras, frutas e um sem fim de latas, bolsas, pacotes de alimentos e garrafas. Ao entrar, sequer pensamos em milho, trigo e arroz. E sem alterações, esses três cereais continuam sendo os elementos básicos da dieta do homo sapiens moderno.

O milho, o trigo e o arroz estão por todas as partes, muito mais presente do que parece. Pensemos em pães, pizza, tortas, pastas, bolos, etc. E sua presença indireta, servido de alimento principal, é indispensável para a pecuária que produz carne para o mundo. Assim se entende que esse trio de cereais, sejam a verdadeira base da nossa alimentação. Fornece as calorias alimentares do mundo. E não são só calorias. A energia que nos permite viver, porque talvez o leitor não saiba que o trigo contribui com mais energia que as carnes de aves, porco e gado juntas.
A evolução da nossa dieta é fruto de um longo caminho desde que alguém plantou um grão de teosinto – uma gramínea do gênero Zea – em algum lugar da Mesopotâmia há milhões de anos. Encontrado nas regiões montanhosas do sul do México e norte da Guatemala, é comum encontrar um capim de aspecto vulgar e sem utilidade, que seus povos conhecem como teosinte – de seu caule central saem ramos laterais divididos em nós, dos quais despontam pequenas hastes e meia dúzia de grãos recobertos por casca dura que dificilmente se poderiam comer. É o primeiro ancestral do milho que há cerca de quase 10 mil anos, por razões desconhecidas transformou-se radicalmente.

No princípio, a agricultura era somente de áreas secas. Os cultivos dependiam exclusivamente da água das chuvas para crescer e se desenvolver. Mas, pouco depois na mesma região, alguém teve a ideia de regar as sementes e se pôde falar pela primeira vez em aumento da produção.
Essa maior capacidade de produzir alimentos e a necessidade de mão de obra pra seguir cultivando, permitiu a multiplicação da humanidade. Assim, as primeiras grandes civilizações cresceram e se alimentaram ao redor de grandes rios como o Tigre e Eufrates, o Nilo, o Amarelo (China), o Indo (atravessa cinco países : China, Índia, Paquistão, a nascente fica na confluência dos rios Gar e Sengge, no Tibete. Sua foz no Mar Arábico – oceano Índico).

Mas, não há caminhos longe de obstáculos. Por exemplo, as civilizações nascidas da agricultura de irrigação na região do Rio Indo e do Rio Tigre se desintegraram devido à obstrução dos canais e a salinização do solo. Mais tarde, essa dependência pelos cereais causou inúmeros problemas na antiga Roma. A cidade sofria com a fome e revoltas cada vez que um inimigo interno ou externo bloqueava os envios de trigo da Sicília (Itália) ou do norte da África.

Do outro lado do mundo, a civilização maia do período clássico, extinguida supostamente pelo vírus do milho. Mais tarde, na Europa medieval, uma série de verões úmidos foi a causa para afetar o plantio de trigo e provocaram a fome que matou milhões de pessoas.

É assim, desde aquele grande descobrimento na Mesopotâmia, que chegou uma nova volta na história da agricultura. Aconteceu na Grã-Bretanha, no final do século XVII. Das mãos dos avanços da revolução industrial, ocorreu a revolução dos arados, plantaram variedades mais produtivas, se aperfeiçoou a rotação de culturas e os agricultores chegaram a duplicar os rendimentos de seu trigo ao passar de uma a duas toneladas por hectare entre 1700 e 1850, não é causal que nesse mesmo período, a população da Inglaterra se multiplicou por três, ou seja, passou de cinco para quinze milhões de pessoas.


48 h, o conceito francês 

A alimentação já não é tarefa do agricultor e do campo sem que preocupe também a cidade e os urbanistas

O evento unificador da agricultura urbana em toda a França aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de abril. O 48h da agricultura urbana incentivou a ação durante um fim de semana e é concebido como um gatilho para tomar a iniciativa de lançar a temporada de jardinagem nas cidades francesas. A agricultura urbana é um fenômeno social que está se tornando mais democrático. Os moradores querem e precisam ser ativamente apoiados a vegetar seus bairros e casas, para desenhar os contornos de uma cidade mais agradável, respeitosa e respeitável.

Com o apelo: ‘apoie o verde de sua cidade’, o evento contou com equipes motivadas e organizadas em associações ou simplesmente grupos que se associam espontaneamente durante as 48h para divulgar a iniciativa anualmente. A ideia é interessante porque, parte da base de que a cidade é propriedade (e responsabilidade) de todos e não só dos funcionários administradores e dos políticos. O projeto também pressupõe que a alimentação já não é mais tarefa exclusiva do agricultor e do campo mas, uma tarefa que pode ser executado por todos, que organizam também a cidade e urbanistas. 

Da mesma forma que as cidades já não podem estar compartimentadas, divididas entre bairros dormitórios, zonas de lazer e zonas de trabalho, totalmente desvinculadas, a alimentação não pode ser um assunto apenas dos agricultores no campo. Há que ampliar o campo à cidade e a cidade ao campo, no bom sentido da expressão.

De fato, quando se põe a refletir sobre nosso sistema de alimentação e sobre a agricultura industrial, a verdade é que levamos à boca verduras e frutas que foram escolhidas não pelo sabor, e sim pela resistência às enfermidades e sua capacidade de aguentar longos trajetos. Que a fruta não tenha sabor não é o pior da história. O pior aos franceses, e eles levam a razão, é que grande parte da nossa produção tem sido tratada com produtos tóxicos, nocivos, que acabamos ingerindo juntamente com as vitaminas e minerais.

Visto assim, a cadeia alimentar não tem nenhum sentido sobretudo quando a tecnologia permite, hoje, cultivar alimentos em espaços reduzidos, na vertical, com pouca água, com pouca terra, dentro de um edifício sem luz solar, com lâmpadas Led, quer dizer, praticamente em qualquer lugar. Na Alemanha, a tecnologia permite a produção de hortaliças em estufas dentro dos supermercados, onde o consumidor pode colher. As estufas instaladas nos jardins de casa (as mais comuns na Europa) podem alimentar uma família de até quatro pessoas, um modelo de produção de agricultura urbana que está se espalhando como champignon por toda a geografia francesa — se fosse no Brasil poderia se comparar a tiririca.

Eventos, ações conjuntas como o 48h, o conceito francês, dá o sentido de mundo a centenas de milhares de jardineiros e agricultores de fim de semana, que saem às ruas e fazem crescer cenouras nos telhados, morangos nos balcões e saladas nos supermercados. Tudo isso afeta não só o paladar, afeta por ser um produto local tratado sem pesticidas, colhido e consumido no seu ponto exato de maturação, sem transporte. A melhor forma de honrar a terra é trabalhando sem contaminá-la, sem esgotá-la. 

E, se todos nós, sem exceção, fossemos chamados a realidade para convertermos em agricultores de fins de semana? Mesmo que vivendo em cidades asfaltadas, como os franceses chamados ao 48h! Eles já nós indicaram as possibilidades de que plantar o seu próprio alimento vai muito além de se alimentar. É um ato libertador. 

 


O ato político de plantar, colher e cozer o alimento na generosidade de alimentar o outro: o papel da mulher

Alimentação não é só nutrição. É a atividade solidária mais importante entre todos nós, pois ela sana a fome, a má nutrição e desde sempre exige-se que seja feita no coletivo, compartilhando — exercendo a generosidade. A alimentação deve ser sustentável porque devemos ser capazes de continuar plantando alimentos para que os mesmos não desapareçam. E por último, e não menos importante, a alimentação educa através da Mulher que busca, escolhe, prepara e alimenta. Ao longo da vida educamos nossos ouvidos para a música; a visão para as artes; as Mulheres também se encarregam de educar o tato, o olfato e o paladar — quando preparam os alimentos. Essa é a diferença entre simplesmente se alimentar para satisfazer a fome entre comer aquilo que responsavelmente foi escolhido, preparado e servido num ato de generosidade. A alimentação agrega as pessoas. Todas as atividades culturais tem a capacidade de alimentar, educar, agregar e satisfazer os nossos sentidos. 

O Comida da Horta vêm se apresentar para aquela que hoje detém o papel político mais importante na sociedade, a Mulher. O assunto escolhido para estabelecer um diálogo com a Mulher, é a alimentação e tudo o mais que compõe o prato do dia a dia, especialmente o ato político da mulher à frente da alimentação. Pois, no estresse do final do dia de trabalho é difícil reconhecer qual o papel político (dentre as atividades) que desempenhamos nas últimas vinte e quatro horas sem se dar conta (em função do cansaço e acúmulo de tarefas). 

Tudo o que envolve o alimento depende da política e reflete na economia do nosso lar. Nas décadas de 1960 e 1970 o governo brasileiro comprava o alimento mais caro do mundo e jogava no mercado especulado, cujo preço quase que dobrava pois, era intermitente a chegada dos produtos e o consumidor brasileiro pagava o preço mais alto do mundo – consumindo sua renda familiar para alimentar a família. Quem gasta metade da renda familiar com alimentação não dispõe de dinheiro do seu salário para vestuário, cuidados com a saúde, investimento em moradia, transporte, educação para os filhos e lazer. Era uma realidade que chocava o País. O que vivíamos naquela época, hoje, é a realidade de Bangladesh – um país asiático, dos mais miseráveis do mundo.

Em 2000, o Brasil já tinha quase conquistado um equilíbrio nas suas contas. O Brasil não quebraria. Houve uma mudança substancial no setor produtivo através da evolução tecnológica, da produtividade e sua capacidade competitiva havia absorvido 70% do valor do alimento para as famílias brasileiras e, oferecia o alimento mais barato, na margem de 14 a 18% da renda familiar.

Hoje, o desequilíbrio econômico está fazendo com que os governos coloquem mais tributos em cima dos alimentos in natura, de forma indireta. O valor desses alimentos consome entre 20 a 30% da renda familiar, dependendo da região. Cuidado! As famílias estão comprando alimentos com valores incompatíveis com os salários recebidos. E o que a Mulher tem a ver com tudo isso? A resposta está no papel político que a Mulher desempenha hoje, sendo chefe de família, consumidora e educadora de valores ao administrar o lar. Porque quando a Mulher paga um preço justo pelos alimentos in natura, aí, de fato, consegue fazer poupança, dar melhores oportunidades aos filhos e ter projeto de vida, pensar no futuro e não apenas nas contas do mês.

A ação política da Mulher e o que a sua escolha pode resultar, está demonstrado na recente matéria (de fevereiro) do Financial Times, Estados Unidos; onde as três gigantes da indústria de alimentos, Kraft Heinz, Coca-Cola e Danone anunciaram resultados menores para o quarto trimestre, demonstrando o abandono pelos consumidores de produtos que deliciavam gerações anteriores – de queijo industrializado fatiado a refrigerantes com teor de açúcar de 31g, em favor de alimentos alternativos mais saudáveis.

O papel político da Mulher está presente em todas as suas escolhas.