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Afinal de contas, existe o papel da mulher?

  • Artigo de Luma Paglioni de Souza, Psicóloga Clínica, Organizacional e do Trabalho, Consultora de talentos

Em nossa sociedade encontramos diversos tipos de papeis: profissional, espiritual, familiar, comunitário, social e biológico. Naturalmente, cada um de nós investimos mais em alguns do que em outros. Eu por exemplo, tenho focado muito no papel profissional, espiritual e familiar. Os outros papeis também são importantes e estão sendo nutridos, porém em menor escala de prioridade nesse momento. 

Percebe que diante da minha escrita não abordei sobre o papel do homem, da mulher, do idoso, do jovem, da criança, etc.? Porquê, independente do gênero, da cor, da raça e da idade, todos nós impactamos no nosso convívio familiar, todos nós temos uma profissão, todos nós temos uma atuação religiosa, todos nós temos amigos, e assim por diante. 

Então, não vejo sentido definir em uma frase o papel da mulher. Você concorda? 

O papel da mulher é ter o papel que desejar, desde que tenha equilíbrio e maturidade. 

Como assim equilíbrio e maturidade? 

Equilíbrio para saber priorizar os papeis necessários de acordo com cada momento da vida. Tem momentos que ela vai precisar se dedicar mais à maternidade, em outro à profissão, em outros vai precisar se recolher para rever seus princípios espirituais, em outros vai focar mais no aspecto social, e assim segue de acordo com a necessidade do momento. 

E maturidade para se permitir não ser a mulher maravilha, se obrigando a equilibrar perfeitamente todos os papeis. Calma, quero explorar melhor esse ponto. 

Antigamente existia um papel feminino delineado. Era o casamento e a maternidade. A mulher se preparava para o marido e ser uma boa dona de casa. Com a transformação social, a mulher foi trabalhar e logo adquiriu mais uma função. Naturalmente fez amigos, criou vínculo social, e também se permitiu explorar esse ponto. Logo a mulher também teve direitos de escolha, podendo experimentar diversas religiões, culturas, etc. O problema, é que a mulher foi acumulando papeis, sendo condicionada a realizar todos com excelência. 

E por isso que eu falo de maturidade. Uma pessoa madura é aquela que conhece suas emoções, pensamentos, limites, ou pelo menos busca desenvolver inteligência emocional. Logo, maturidade é não se ver obrigada a atender todos os papeis perfeitamente, afinal não é mais preciso da aprovação de alguém (ou da sociedade). 

Muitas mulheres relatam exaustão por trabalharem o dia todo, deixarem seus filhos na escola, preparar as refeições e ainda zelar pela limpeza do lar. E mais uma vez reforço: Não tem problema buscar o equilíbrio entre essas áreas, desde que não se culpe por não atingir a perfeição em todas elas. 

Sim, vai ter dia e semana que a casa não vai estar impecável. Vai ter dias que o filho vai ralar o dedinho porque você não estava ao lado dele o tempo todo. Vai ter dias que você não vai querer ir à igreja. Vai ter dias que você vai perder a paciência com o cônjuge. E isso não te torna menos mãe, menos esposa, menos espiritualizada, menos ser humano. 

Portanto, poderíamos discutir sobre o papel dos homens nessa história como um todo. Mas, penso que estaríamos mais uma vez categorizando deveres e direitos por meio do gênero, idade, etc. 

Então, retomo a importância do autoconhecimento, da inteligência emocional. 

Quando cuidamos da nossa mente adquirimos um poder maravilhoso de se posicionar diante da nossa vida. 

E quando sabemos o que queremos para nossa vida, nos comportamos para aquilo. Dizemos sim para algumas coisas, e não para outras de maneira mais atenta. O piloto automático é inimigo desse processo. 

Porém, antes de iniciar o processo de autoconhecimento eu te pergunto: Você acredita que pode se ver livre dessas imposições, principalmente das suas? Você entende que merece ser feliz? Responda com sinceridade. Vou repetir a pergunta: Você acredita que merece ser feliz? 

Porque se no fundo, lá no fundo mesmo, você não acredita nisso, tenho certeza que existirão muitas barreiras te impedindo de buscar autoconhecimento, posicionamento, círculo social saudável, etc. 

Mulher, você tem o bem mais precioso do mundo que é a inteligência. Aprimore, afie, invista, cuide. E claro, sempre de maneira gentil e paciente. 

Cada passo que der será de encontro com sua nova versão. Uma versão livre das algemas, as quais muitas vezes você mesma está escondendo a chave. 

Voe, seja livre. Não tenha medo ou preconceito em pedir ajuda. Tenha rede de apoio. Tenha segurança para acreditar na sua importância, não havendo necessidade de perfeição para garantir isso. Afinal, nossa exaustão não garante nada. Quantas mulheres dentro do “padrão” (corpos esculturais, maternas, comida feita todo dia, roupinha passada, amável, etc) não possuem respeito da sociedade, do marido, da família, etc.?

O julgamento do outro é de acordo com o desenvolvimento dele. Mas, o seu procedimento é de acordo com o seu. Então, te convido a direcionar o foco das ações em você. E espero que os que estejam a sua volta te acolham e te respeitem nesse novo modelo de comportamento. A gentileza de ambas as partes é sempre o melhor caminho. Por isso, converse com os mais próximos e reflita com eles sobre como cada ser humano merece ser feliz. 

Portanto, desejo do fundo do meu coração que possamos, JUNTAS, cada vez mais investir no tesouro mais precioso, que somos nós mesmas, a nossa individualidade.

Mulher, parabéns por ter chegado ao final dessa leitura. Parabéns por ter aguentado tantos desafios até esse momento da vida. Eu admiro nossa luta. Vamos continuar juntas, unidas em prol de um único objetivo: a harmonia individual e coletiva. 

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