Vida Real; Antonia Damasceno dos Santos – as mulheres fazem uma revolução silenciosa

Estar com a Antonia é contagiante, o seu senso de humor aproxima as pessoas. Eu a conheci como técnica em nutrição da Merenda Escolar do município de Limeira, o assunto no dia era sobre as plantas alimentícias não convencionais (Pancs), em específico a planta ora-pro-nóbis. Eu e ela poderíamos passar horas conversando sobre. Antonia me surpreendeu com um pão de ora-pro-nóbis feito por ela, com a planta colhida de uma horta urbana pelo caminho onde passava. Suas mãos lhe dão o dom de cozinheira. Nos encontramos no início da pandemia e eu lhe entreguei a maçã de elefante, uma planta medicinal, ela me trouxe uma pão de ervas delicioso.  

Nossa conversa dessa vez foi por chamada de vídeo. Atualmente, ela tem se dedicado a cozinha, pois, se aposentou. No começo do período da aposentadoria, como a gente está acostumada acordar cedo todos os dias e sair para trabalhar, eu fiquei deprê. Não tinha motivação para me levantar, fazia uma coisinha aqui outra ali, depois (risos), agora, está Mara! 

A minha família é grande, eu sou a do meio, tem sete pra cima, seis pra baixo. Eu digo, então, você é a do meio, não apanhou muito. Apanhei, porque eu era a babá dos mais novos, era cada surra. Meu Deus, não mereci isso. Moramos em fazendas, sítios, por isso eu gosto de mato, adoro. Meu pai cuidava do gado de leite, dos animais. Passamos por Osvaldo Cruz (SP), Ouro Verde (SP), Sagres (SP). Quando eu estava com 17 anos (com a benção do meu pai maravilhoso) ele me levou para a cidade de São Paulo – lá em casa era assim, todos tínhamos que ajudar no serviços domésticos: varria a casa, arrumava os colchões de palha, varrer o quintal, lavar louças e panelas do fogão a lenha; uma semana de um, uma semana de outro. Meu pai corrigia o tempo todo: ‘gente, não deixa bater, não deixa cair, porque vai que um dia vocês vão trabalhar numa casa de família’. Quando eu estava com 17 anos ele me levou mesmo, para a cidade de São Paulo. 

Eu tinha uma irmã que trabalhava na casa da família, ela se casou e a patroa pediu uma indicação, meu pai me levou. Eu chorei um mês. Eu pensava, a minha família não me quer junto deles. Ninguém me perguntou, você quer ir? No nosso tempo, aos 17 anos éramos ajuizados mas éramos bobinhos. 

Fui morar no bairro Bom Retiro, andava por lá tudo, ia na Estação da Luz. Eu não tinha noção do que era aquele Parque da Luz, menina! E ninguém tinha me orientado. Eu ia lá, pegava uma (revista) ‘Sabrina’, sentava no banco da praça pra ler (risos). Mesmo assim, naquela época, eu tive uma sorte tão grande que o livrinho que eu estava lendo, o nome da personagem era Antônia – porque a gente não é de mentir, a mãe nunca deixou -, aí, um sujeito chegou e falou assim: ‘como você se chama?’ Eu falei pra ele, eu estou aqui lendo um livrinho. Ele me ofereceu droga, eu falei não. Ele pediu pra ver o que eu estava lendo, ‘ah! tá! Você está mentindo pra mim, me falou que o seu nome é Antônia porque o personagem do seu livro é Antônia’. Eu deixei barato, deixei quieto, né. Na primeira oportunidade eu fui embora, não é um lugar pra gente ficar. A partir daquele momento tomei mais cuidado. 

Eu trabalhei lá (em São Paulo) de 1977 até 1981. Voltei pra Limeira e a família veio pra cá, adotei Limeira, gosto demais daqui, é como se sempre tivesse morado aqui. Aí, eu entrei na Companhia União de Refinadores de Açúcar, trabalhei longos anos maravilhosos lá. Meu marido trabalhou na União, fizemos uma outra união (risos). Era maravilhoso (trabalhar na União), pagava bem e em dia. Fizeram o restaurante (na época que eu trabalhei), tínhamos o horário para ir comer. A comida estava prontinha na hora, era corrido, só meia hora, longas filas; mas um tempo muito bom. Minha irmã fazia o primeiro turno, eu era do segundo turno. Era assim, não dava para estudar, não dava pra fazer nada. 

E quando a gente morava em Rinópolis (SP), numa fazenda de duzentos alqueires, lá, eu fiz a minha quarta série com dez anos de idade, não tinha o Ginásio e não dava pra eu continuar estudando, a escolinha tinha uma professora para os quatro turnos. Não consegui mais estudar, fui pra São Paulo, fiz o curso de corte e costura (a patroa deixou), eu estava morando no bairro Sumaré (SP), tomava o busão no Sumaré na avenida (descia 150 degraus pra chegar até a avenida), eu trabalhava perto da antiga TV Tupi; descia correndo, pegava o busão e, ia até na Vila Mariana fazia o curso e voltar correndo. Mas foi um tempo muito bom, muito proveitoso. 

Quando entrei na União também não dava pra estudar. Eu saí de lá em 1988, já namorava o meu marido. 

Em maio de 1988, nós casamos. No mês de abril do ano seguinte (antes de completar um ano de casados) meu marido sofreu um acidente de trabalho muito grave, na União. Menina do céu! Se queimou, o rosto, a cabeça, as mãos; estávamos tentando engravidar do primeiro filho(a). Sabe aquele tempo de lua de mel maravilhoso (risos)?

Então, não saiu nos jornais da época, algumas pessoas ficaram sabendo. No nosso setor, trabalhava no granulado, depois fomos trabalhar no tipo exportação. Ele trabalhava na batedeira (onde bate o açúcar, que quando chega é sólido, fica líquido, clarifica; sobe para o cozimento e desce para a batedeira, secador, pra descer novamente). O açúcar tem aqueles pontinhos pretos e tinha que limpar a batedeira, chamavam o soldador, tem que passar uma água quente antes. Pra isso acontecer tinha que parar todo o setor. Nesse dia, o setor não parou. Disseram: “vocês vão entrar lá e limpar”. Entrou meu marido e, mais dois funcionários. A hora que eles estavam lá dentro fechou um dos lados e o vapor passou com força total e atingiu eles. Ele só não morreu porque não desmaiou na hora, mas o vapor pegou de cheio em cima da cabeça dele e das duas mãos. Conforme o vapor pegou, virou líquido e foi descendo fervente pela camisa. 

Recém-casada, eu estava em casa, de boa; lavei as roupas, falei, amanhã eu passo as roupas à tarde. Estou lá, assistindo a Sessão da Tarde, às 14:30 bateu a assistente social (duas). Ela disse: “seu marido sofreu um pequeno acidente, foi para o hospital e é pra senhora fazer uma bolsinha e levar alguma coisa pra ele. Eu peguei a pasta de dente, escova, um par de chinelos, um shorts, uma peça de roupa; coloquei na sacola e ainda falei pra elas, às 18h deve ter a visita, eu vou de ônibus. Uma olhou pra outra, e me disse: ‘se a senhora não demorar a gente espera e te leva lá’. Aí, eu já comecei me pegar com Deus – eu fui muito tempo crente católica, depois crente protestante – eu conhecia o sistema (da empresa) né, poderia ter sido um pingo de caldo, eu fui me preparando. 

Mas eu não estava preparada. Ao chegarmos no hospital, a assistente social falou que ia entrar comigo, quando chegou no setor a enfermeira falou: ‘Ah não! Vocês não vão acordar ele agora, porque agora que eu consegui acalmá-lo. Ele está naquele quarto lá’. Naquela época não tinha área de queimados na Santa Casa, ele ficou isolado. Ai mulher, só Deus na causa, só Ele sabe o que eu passei na época! 

Eu cheguei, ele já estava inchado porque o vapor entra queimando e sai queimando. Ele estava grande. Ele é grande, tiraram a blusa, ele estava só com a calça do uniforme de trabalho; eu olhei da porta do quarto falei pra moça, esse não é o meu marido não. Ela foi tão insensível, me falou: ‘O nome dele é tal?’ Eu falei é; ‘então é ele sim’ (choro). Eu voltei, olhava pra ele da porta, meu Deus. Fui chegando perto, realmente era ele. Começou se mexer, eu falei pra ele ficar tranquilo, a gente vai cuidar. Enquanto eu estava lá, o doutor chegou, me disse: ‘eu vou cuidar dele, você pode ir pra sua casa e eu vou cuidar dele’ (choro). O Senhor tem certeza doutor? ‘Tenho sim, pode ir’. 

Eu liguei pra família, chorei pra irmã dele, liguei pra minha irmã ela falou: ‘não vai pra sua casa não, vem pra minha’. Eu nem sei como é que eu cheguei na casa dela. Ela me disse que durante a noite eu andei, eu chorei; não me lembro de nada. 

Enquanto a gente estava nesse processo, ele com as duas mãos enfaixadas, eu fui visitar, o pessoal pediu pra eu não entrar, esperar. Eu insisti, eu vou entrar, nem que for pra chamar a polícia eu vou entrar. Enquanto a gente estava lá, por 25 dias, ele queria falar, tinha feito traqueostomia, 12 kg mais magro, mesmo assim, ele me perguntou se eu estava grávida, nossa! Quem sabe Deus ouviu a gente. Eu estava grávida. Eu passei uma gravidez daquela. Eu tenho dó da minha filha, porque eu não pude mimar a minha barriga, eu estava cuidando dele. A nossa situação de vida, só com muito tempo para poder contar pessoalmente. 

A minha filha hoje tem 31 anos, casada, formada. Hoje, a gente está bem, a gente se recupera.

 

 

Eu louvo a Deus todos os dias, todas as horas porque estamos bem, eu não tenho dores, na minha família nós temos um ponto de dor acho que de tanto trabalhar desde pequenos, quando faço esforço repetitivo. Faz anos que não tenho dor de cabeça. 

Eu nunca pensei muito em envelhecimento porque a minha conversa com Deus é o seguinte, não deixe eu ficar na cama. Se acontecer alguma coisa me leve de vez. Eu procuro manter as minhas emoções no lugar. Então, o envelhecimento pra mim, fui pega de surpresa, eu achei que não ia chegar. Eu não me sinto velha. A mente não envelhece o que envelhece é o corpo. Às vezes, você planeja o dia, faz metade do que planejou, dá aquela canseira, senta no sofá – porque hoje eu posso. Antes, com ou sem canseira tinha que trabalhar. 

Você já ouviu falar no “esporão” que dá aquela dor no calcanhar das pessoas? Sim, eu conheço.  Quando eu fui monitora de creche eu ficava muito tempo sentada, como técnico nutrição eu tinha que andar de ônibus, a pé. Eu visitava escolas perto da minha casa a pé, um belo dia, eu me levantei de manhã, coloquei os pés no chão parecia que tinha agulhas em cima e embaixo. Fui ao médico, ele disse: ‘isso ai não tem jeito não’. Um dia fui trabalhar chorando de dor, cheguei, estiquei o pé e pedi tanto pra Deus. Orei: Senhor, tenha misericórdia. A noite fui na reunião de oração, falei hoje eu estou mal, orem comigo. Passou, passou. Quando foi um belo de um dia, gente! O meu pé não está doendo mais. É uma cura. 

Antonia, você recorre muito à fé ? Muito. A mãe nos batizou pequenos na igreja católica. Ela não ia, mas fazia questão que fôssemos, na Missa do Galo ela exigia, estivesse onde estivesse. Em São Paulo eu ia na igreja em Santana, lá, me lembro de um missionário dizendo que as pessoas perdem muito tempo lendo muitos livros e às vezes não lê a bíblia. Quando viemos pra Limeira, católicos, fomos morar entre um crente de um lado, um crente do outro, chamando pra reunião (risos). Como a gente morava muito próximo do centro, íamos na Catedral Nossa Senhora das Dores. Minha irmã cantava no coral. Eu ajudava o padre fazer as papeletas, recolher as ofertas, éramos bem participativos. 

Um belo dia, começaram fazer reunião em casa porque meu irmão e minha irmã mais nova foram para a igreja evangélica. A gente servia o suco, os biscoitinhos, e saia andar ou ficávamos presas dentro do quarto. Mas, quando Deus chama é uma coisa impressionante. Mudamos para o bairro Cecap e ali passamos a frequentar a igreja Presbiteriana, do meu irmão. Um dia ele falou: ‘Toninha, hoje nós vamos na casa de um irmão, não é na igreja, é uma reunião na casa. Você quer ir?’ Bora. Tinha uma menina que trabalhava na Cia União que me chamou a atenção: ‘Tonha, eu vi você com uma bíblia debaixo do braço. Você está indo na igreja de crente?’ É claro que não. Está doida? Ai mulher, foi a mesma coisa que cuspir pra cima. Na semana seguinte eu estava na igreja (risos). 

E a sua mãe católica, como reagiu? A mãe sempre foi de boa, meu pai também, foi muito legal. Os irmãos tiram sarro. Eu ainda tenho duas irmãs e um irmão resistentes. A gente recorre muito a Eles porque quando Deus criou todas as coisas e o homem pecou, Ele providenciou o salvador que é Jesus. Quando Jesus foi ao céu outra vez, Ele falou: ‘não deixarei-os órfãos, deixarei o consolador’. É o Espirito Santo. Então, enquanto as pessoas recorrem a outras coisas a gente recorre ao Espírito Santo. Vai pedir alguma coisa, ora e pede ajuda. Aconteceu alguma coisa, ora e agradece. A minha relação com Ele é muito boa. Por exemplo, quando o meu marido se acidentou, eu me lembro até hoje, menina! Tem um salmo 121 “elevo os meu olhos para os montes de onde me virá o socorro. O meu socorro vem do Senhor desde o céu e a terra. Ele não dorme. Aquele que te guarda não dormitará. Guarda do sol, da lua, desde a entrada até a saída”. Eu louvo a Deus porque como a gente teve muitas dificuldades financeiras. 

Quando eu voltei estudar com 40 anos de idade, minha filha tinha 10 anos, eu falei, não é justo continuar escrevendo Fundamental incompleto, o que é que é isso? Não. Tenho que voltar a estudar. 

Você tinha esse objetivo e com fé você alcançou? Sim. Não fique esperando que alguém vai bater na sua porta e falar: ‘o gata, vamos lá!’ Pelo contrário, vai dizer; ‘não vá que não vai dar certo’. Comecei estudar à noite, ir a pé no Sesi do Jardim Morro Azul, Telecurso 2000 o curso que tirou muita gente da ignorância. A professora Maria das Graças me falou: ‘você tem uma cabeça tão boa, o seu português é muito bom!’ Normalmente, as pessoas puxam a gente pra baixo. Ela enalteceu as qualidades da gente, orientou: ‘vai ter a prova, faça as cinco matérias que eu tenho certeza que a senhora passa’. Acabou ali, eu fui fazer o ensino Médio. O professor Fábio me disse: ‘dona Antonia, eu vou falar uma coisa para a senhora, não pare de estudar, vai fazer um curso técnico. A senhora está muito bem’. 

Como você se sentia quando os professores lhe enalteciam? A gente nunca foi de ouvir elogio, filha. Eu não estava acostumada a ouvir isso. A mãe orientava mas, ela era crítica, muito crítica. Eu também sou, coitada da minha filha porque a gente teve aquele ensino. Por exemplo, a gente vai fazer um picadinho, se é pra cortar rodelinha é rodelinha; se é pra cortar quadradinho é quadradinho. Um dia uma mulher viu o meu vinagrete, ela perguntou: ‘você cortou isso na mão?’ A gente ia picar um alimento, sabe o que a mãe falava? ‘Você não está picando para porcos. Eu não quero machadão’. Até hoje a gente tira sarro um do outro. Não estava acostumada a ouvir elogios mesmo quando você fazia o que era pra fazer bem feito. Em dois anos, fechei o ensino Fundamental e o Médio.

Eu me senti muito bem quando o professor falou. Eu passei no Cotil para pegar o folder da divulgação dos cursos. Olhei as matérias, o que poderia ser feito. Nossa! Vários cursos. Acho que vou fazer Nutrição. Fui toda feliz falar pra ele, já fiz a inscrição! Ele falou: ‘pra Informática né?’  Não senhor, na Escola Técnica Trajano Camargo. Depois eu fui contar que fui bem sucedida na minha escolha. 

Como você se sentiu ao fazer a prova para o curso técnico em Nutrição?

Como a gente está acostumada a não ter nada de incentivo na vida, quando fui conferir a lista de aprovados, ao invés de procurar o meu nome por cima eu comecei por baixo. Eram 40 vagas, fui subindo os nomes, não passei, não deu! Passei em sétimo lugar (risos). Dei um grito tão forte.

Que tempo corrido, meu Deus que gostoso! Você curtiu? Curti pra caramba (risos). O pessoal fala, ‘hoje tem laboratório de química que coisa chata’. Eu dizia, menina, amo as aulas com a Margarete. 

Eu terminei o curso em 2004. Em 2005, a minha irmã me disse: ‘vai ter o concurso público para monitor na educação, e você vai fazer’. Na época, a merenda do município era terceirizada. Passei. Foram me chamar em 2008. Em 2011, teve um concurso público para o técnico em Nutrição, eu olhei, falei duas vagas, fala sério. A minha irmã: ‘duas vagas, se uma for sua, você tem que fazer porque Deus ajuda’. Fiz a inscrição, paguei e fui fazer a prova. Nem fui ver o resultado. Um dia, estou voltando pra casa, numa sexta-feira toca o celular (toca colocar tudo o que estou segurando no chão pra atender o celular), a pessoa do outro lado: ‘terça-feira vai sair a sua portaria’. Portaria do que? ‘Eu não acredito que eu estou te ligando pra dar uma boa notícia e você me responde desse jeito’. Eu não me lembrei do concurso. Desliguei o telefone, agradeci e segui a pé até em casa. Quando entrei em casa que me lembrei do concurso que tinha feito e ia ser chamada, eu joguei as minhas coisas no chão, eu chorei, eu pulei, eu gritei e agradecer a Deus. Eu tinha tido um entrevero com a diretora e eu disse pra ela, eu não vou ficar na sua escola. Quando foi na segunda-feira, estou indo trabalhar e ela dizendo que a merenda ia voltar para o município e que ia ser uma dor de cabeça. Eu deixei ela falar e disse, o que a tristeza para uns, alegria para outros, porque eu fui chamada e eu vou assumir como técnico. ‘Antonia, venha trabalhar conosco’. Lá eu era uma idosa, porque normalmente o monitor tem idade inferior a 40 anos. Na minha turminha eu puxava uma cadeirinha, sentava para dar o colo, abraço. 

Eram duas vagas que foram transformadas em vinte vagas. Chamaram vinte pessoas porque a merenda escolar foi municipalizada. 

A maturidade, se tivéssemos a cabeça de agora com o corpo de antes (risos), seria tudo de bom. Eu me lembro de estar com a minha irmã aos dez anos de idade, deitadas no terreiro olhando as estrelas e ela falando: ‘nossa, já pensou, a gente daqui 40 anos?’ (risos) Eu me lembro que quando eu tinha 20 anos, eu escrevi uma cartinha pra mim mesmo (eu deve ter guardado), eu estava na sala da minha irmã lá em São Paulo, escrevi a carta como se eu estivesse falando com Deus, para que ele preparasse alguém pra mim, eu queria me casar, queria ter filhos, ter a minha casa.Tirei minha carteira de motorista com 53 anos. A gente não para de sonhar e realizar.

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