Valéria Ivers Gachet

Valéria Ivers Gachet, a sucessora da família pioneira na citricultura há 111 anos

Valéria Ivers Gachet é a sucessora da família na citricultura limeirense. Ela acredita no Brasil como produtor mundial de alimentos e trabalha todos os dias para que a citricultura brasileira continue liderando a produção mundial. Limeira teve a pujança e pioneirismo de citricultores na produção de cítrus, hoje, são raros. A família Ivers é pioneira na citricultura há 111 anos quando, o bisavô, Jorge Carlos Ivers, plantou os primeiros pomares, em Limeira e não deixaram de produzir – atualmente a produção está na cidade de Aguaí, SP. O bisavô se entusiasmou com a produção das frutas e ao conhecer o senhor João Barão – pioneiro no enxerto de mudas de citrus – acertou a produção e as vendas. Em 1908 ele teve o seu primeiro pomar no bairro dos Pires, com setecentos pés de laranjas baia. Hoje, Valéria é a sucessora do pioneirismo do bisavô Jorge Carlos Ivers, uma mulher que estará a frente de uma história e sucesso da citricultura limeirense.

Schirley Ivers Gachet, José Carlos Gachet, Valéria Ivers Gachet e Silvio Ricardo Barbosa
Schirley Ivers Gachet, José Carlos Gachet, Valéria Ivers Gachet e Silvio Ricardo Barbosa

A mãe Schirley Ivers Gachet, é a caçula dos irmãos e quando se casou com José Carlos Gachet, o avô Arthur João Ivers pediu que o casal permanecesse residindo na propriedade para cuidar deles no futuro. Ficaram por trinta e cinco anos, lá, nasceram os filhos Valéria e Wagner.
A história da família quando contada é marcada pelo valor ao trabalho e o empenho nos resultados dos negócios. Dona Shirley trabalhou muito em atividades que exigiam bastante esforço físico. É Valéria quem descreve,”quando a família comprou a propriedade em Goiás, em 1984, criávamos porcos para ter carne e porque não tinha energia na propriedade. Eu era criança e sempre ajudei a matar porcos juntos com os meus pais. A gente cortava toda a carne, temperava e fritava tudo para serem guardadas e armazenadas na banha suína, em latas fechadas. Lá era lampião a gaz para iluminar e quando nós tínhamos rádio amador para nos comunicar, tinha que ligar na bateria do trator ou da camionete para poder usar o rádio. E antes, nem isso tinha, fazíamos uma ligação por semana para tranquilizar a família. A propriedade ficava ilhada há mais de noventa quilômetros (de estrada de chão) da cidade mais próxima. Meu pai ficava mais de vinte dias lá e minha mãe cuidando da família aqui (em Limeira)”, contou.
A família mudou-se para a cidade de Limeira em 2010 quando a sociedade da família de Schirley foi dividida. Depois de dois meses residindo na área urbana de Limeira, os pais de Valéria foram morar na fazenda Palmeira, em Aguaí. Se alojaram em um rancho da propriedade com dois quartos e um banheiro, por um ano e oito meses. Não quiseram desalojar nenhuma família dos funcionários da fazenda até construir uma sede. “O meu (filho) pequeno tinha dez dias, ele chegou a dormir na caixa de laranja, eu vim pra cá, porque eles estavam morando aqui e, já tinha um filho mais velho de cinco aninhos. Antigamente quando era a sociedade dos irmãos da minha mãe, cada um cuidava de uma parte (dos negócios), do administrativo, do operacional. Quando nós viemos pra cá, aí criamos uma nova identidade, meu pai aflorou aquilo que ele não fazia com frequência, voltou a tona, porque ele ficou 25 anos em Goiás produzindo cereais e gado. Ele passou adiante o entusiamo com a citricultura para o meu irmão, para o meu marido Silvio e eu consequentemente, venho vindo, porque nunca deixei de estar aqui junto”, revela Valéria.

Ela, formada em nutrição, ocupava o cargo de gerente de compras numa grande empresa de cozinha industrial, por doze anos. Ia a passeio na fazenda mas, estava acompanhando tudo de perto. Em 2017, Valéria perdeu o irmão Wagner, ele estava a frente dos negócios com o pai. “Eu prometi aos pés, no leito de morte dele, que eu ia cuidar do que era dele, e dos filhos dele como se fosse meu. Estou aqui abraçando essa causa pela nossa família”, disse.
A citricultura que o bisavô iniciou não existiria mais se a família não se adaptasse as transformações sofridas pela produção de laranjas durante os anos. Hoje, a cidade de Limeira tem raros plantios e citricultores a altura da citricultura do século XXI, devido a exigência de altos investimento em conhecimento de técnicas diferenciadas e capital para conseguir manter os pomares produzindo de fato. Na atualidade, a citricultura é para poucos e Valéria está à frente com a família. “A citricultura sofreu uma mudança de 360 graus porque antes, por exemplo, tinha cinco, seis pulverizações ao ano com um ou três produtos, no máximo; Nós temos que ter uma rotatividade muito grande de pulverização – cresceu muito o leque de produtos usados. Hoje, temos que ser abertos ao conhecimento, somos referência como fazenda modelo na região para fazer testes de produtos e tecnologias, um orgulho pra nós que faz a produção crescer. Levanto de manhã pedindo muita força e sabedoria e tocando vida. Estar na citricultura é estar aberto a aprender, pois todo dia tem algo diferente. Quem não estudava, antigamente ia pra roça. Hoje, quem não estuda, não vai pra roça”, destacou.
Valéria traz consigo estrofes do Hino a Limeira: “…frutas doces comemos aos montes, pomares verdejantes com flores…”. Esse é o seu mundo, a laranja.

Conheça a Fazenda Califórnia da família Ivers Gachet
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