Disponível para Amar, Grupo de Apoio à Adoção

D.P.A. – Disponível para Amar, Grupo de Apoio à Adoção, Limeira

Em comemoração ao Dia Nacional da Adoção — estabelecido no dia 25 de maio, instituído no Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoios e de Adoção, realizado em Rio Claro, SP, em 1996 — o D.P.A. (Disponível para Amar, Grupo de Apoio à Adoção) Limeira, trouxe uma rodada de bate-papo nas dependências do Shopping Center Limeira, com pessoas reconhecidamente vinculadas à adoção para fazer uma reflexão; “quando pensarmos que estamos praticando o amor, que possamos amar ainda mais. Pois, só o amor ajuda a superar os desafios e as dificuldades”, assim foi realizada a abertura.
O casal presidente DPA, Ismael Tarcísio Cândido e Neíza Paccola Cândido, falaram durante a abertura do evento sobre o objetivo deles, “é ajudar na formação dos pretendentes, das pessoas que estão querendo adotar. São experiências trocadas e aprendidas. As reuniões são mensais, na última sexta-feira de cada mês, trazendo temas e debates para o amadurecimento dessas pessoas”.

Com o tema: “A função do Serviço Social no acolhimento à adoção”, as assistentes sociais da comarca de Limeira – Vara da Infância e Juventude, Valéria Barbosa e Gisele Canton, participaram de um bate-papo, lembrando que todos precisam adotar as próprias vidas. “O ato de adotar é o ato de estar todos os dias exercendo para as nossas escolhas. Primeiro, pela nossa própria vida. Quando deixamos de nos amar, entramos em estados depressivos. A gente adota a nossa vida, adota os nossos pais, os nossos amigos de trabalho, a nossa profissão e também escolhemos ser pais e mães pela adoção. O ato de adotar é o ato de estar disponível para amar”, comentou Valéria.
Segundo Gisele, a adoção é voluntária. A adoção acontece pelo desejo de ter uma família calcada no afeto e no amor. Está acima dos laços afetivos, acima dos laços de sangue pois, sabemos de muitas famílias que são biológicas, não tem, muitas vezes, os laços e vínculos afetivos. “A questão do afeto está muito superior ao laço sanguíneo. Mesmo as mães que geram os seus filhos sabem que o amor não vem de uma hora para outra — o amor é construído. Eu quero ter um filho. É simples assim. Adotar não é fazer caridade. Adota-se pelo desejo de ter um filho. A criança deve sentir que existe um lugar dentro da família”, observou.

Marisa Guimarães, o casal Luiz Fernando Guimarães Silva e Ligia Aparecida Negri da Mata e Jorge Luiz da Silva
Marisa Guimarães, o casal Luiz Fernando Guimarães Silva e Ligia Aparecida Negri da Mata que entraram com o processo de adoção e Jorge Luiz da Silva

As assistentes sociais destacaram que muito se fala das dificuldades dos pretendentes passarem pelo processo de adoção. Valéria apontou que o setor técnico considera muito o motivo em querer adotar um filho. “Por que filho é uma delícia. Mas não é só uma delícia, por que a sociedade, por muito tempo proibiu a gente de dizer que filho dá trabalho, que filho enche o saco, que filho é difícil. Porque nós somos seres humanos. Viver com o ser humano é um desafio constante. Adotar uma criança não é uma forma de fazer o bem. Tem muitas formas de fazer o bem, que não é adotar uma criança”, frisou.
Gisele foi além, afirmando que a motivação em adotar um filho tem a ver com o lugar que ‘eu’ escolho dentro da minha família que vai ocupar esse filho. “As respostas que ouvimos são as mais variadas: ‘Ah! É pra ser uma companheira pra minha esposa’. Eu pergunto: será que os nossos filhos serão nossos companheiros pro resto da vida? E, se a mãe querer enfeitar a menina e ela não gostar de laços e fitas? Aí se diz o que? Essa não serve (pra ser minha filha), diz tchau, vai embora? ‘Ah! Eu quero um menino pra fazer companhia para o pai’. Mas, o pai é fanático por futebol. O filho odeia futebol. O pai insiste! ‘Vou te levar no jogo e você vai gostar!’ O filho: ‘não gosto! Não quero!’ Então, é preciso pensar bem. E a adoção não consiste em ter pena de uma criança”, afirmou.
Muitas vezes a motivação da adoção é porque os casais já tentaram o processo de fertilização, inseminação – são muitos os casos. Mas, antes disso, havia um desejo enorme de constituir uma família. Segundo as assistentes sociais, alguns casais alimentam a esperança de entrar na fila de adoção para engravidar. “Já ouvi relatos como: ‘Ah! Eu ouvi falar que acontece da gente entrar na fila (de adoção) e engravidar’. O que percebemos é que o estresse, a vontade e o desejo é tão grande que leva a pessoa a essa conclusão”, sustentou Gisele.

A preocupação da equipe técnica de que o casal engravide e desista da adoção, surge uma pergunta a todos os casais durante o processo de adoção; “‘Se você engravidar você vai sair da fila?’ Esperamos que a pessoa seja honesta com ela mesma e não com a gente porque não estão nos enganando. Estão se enganando. Outra pergunta é: essa criança que você quer adotar já está ocupando um lugar dentro de você? Na tua vida? Na tua casa? O “se” nos desespera. E, se você, se separar do seu marido? E se você, arrumar um companheiro ou uma companheira que não queria filho, como vai ser? Muitas vezes a resposta: ‘essa adoção é pra nós dois’. Já aconteceu de, no meio processo o casal se separar. Se o outro não adotou junto ele diz: ‘o filho é dela’. Nós dizemos pra ele: não “cara pálida”, você vai pagar pensão, porque você assumiu e você é pai. As discussões são as mesmas (diante de uma separação) de quem tem filho biológico”, Valéria evidenciou.
“Ouvimos de pessoas que já passaram pelo processo dizerem: ‘nossa! Como é difícil! Cansativo! Vocês deixam a gente transtornados’. É o nosso papel, pra ver até que ponto realmente querem ser pais. Por que alguns discursos são romantizados, que a criança vai ser boazinha porque afinal de contas ela foi tirada do acolhimento, daquela vida que ela tinha. Não é isso. É preciso desconstruir esse castelo de príncipes e princesas porque será necessário de alguma forma lidar com as dificuldades” revelou Gisele.
Outro ponto que foi esclarecido, é a importância de entender que a criança será adotada por duas famílias e não por duas pessoas. Pois, uma rede de apoio ao casal no momento da adoção é extremamente importante nos momentos difíceis.
Sobre o preconceito ainda muito forte na sociedade, Valéria afirma que sempre vai ter alguém para dizer alguma coisa sobre os nossos filhos, sejam eles biológicos ou não. “As crianças não tem que parecer com os pais. Elas tem que parecer no desejo de estar com os pais. Naquilo que para os pais dá o significado da vida. Essa é a melhor forma dos filhos se parecerem com os pais. Não temos que ter vergonha das nossas escolhas. A procura por adoção de crianças deficientes é quase zero”, completou.
“Quando os casais optam por adoção de bebês eu sempre falo: não sabemos como o bebê vai se desenvolver. Temos a história da criança mas, é uma parte da história. Não posso colocar um bebê numa família e dizer da garantia de nenhuma deficiência, problema psicológico. Sempre digo: e se, durante o desenvolvimento da criança você descobrir um autismo? Pode acontecer”, afirmou Valéria.
A atenção da sociedade deve estar voltada para as adoções irregulares pois, um ser humano não pode ser trocado, não pode ser vendido. “A criança tem direito a se desenvolver sendo desejada – os casais que estão na fila, estão todos grávidos, à espera deste filho. Esse filho vai chegar e ser muito amado. Não pode ser um arranjo. A legislação que dispõe sobre a adoção é o Estatuto da Criança e do Adolescente. A adoção é revogável, existe uma brecha na lei e infelizmente houve um retrocesso. A lei prevê a revogação durante o estágio de convivência. Existe uma série de consequências mas, não podemos mais dizer que a lei de adoção é irrevogável”, detalhou Valéria.
Não é crime a entrega da criança pela genitora na maternidade. Ela pode entregar o filho na maternidade e dessa forma evitar as entregas ilegais. Isso já tem acontecido na comarca de Limeira.

Perfil das crianças acolhidas em Limeira
De 4 a 7 anos
De 14 a 17 anos são 26%
Maiores de 11 anos totalizam mais de 50%.
São 68 crianças e adolescentes acolhidos na cidade de Limeira até o dia 24 de maio.

Gravidez
O casal Luiz Fernando Guimarães Silva e Ligia Aparecida Negri da Mata entraram com o processo de adoção no início de agosto de 2018 e, no dia 31 de agosto deixaram a documentação no Fórum da Comarca de Limeira. “Acho que fomos sortudos no nosso processo. Porque nós entregamos a documentação no final de agosto e em setembro recebemos a ligação do agendamento da primeira entrevista para o próximo mês (início de outubro). Fizemos a entrevista numa terça-feira com a assistente social e na quinta-feira com o psicólogo. Eu digo que demos muita sorte porque, no início de novembro já aconteceria o curso da adoção – acontecem duas turmas desse curso na Comarca de Limeira, uma em cada semestre. Fizemos o curso”, contou Luiz.
“Em março fomos chamados novamente para a entrevista pós-curso. Hoje, dia 25 de maio que é o Dia Nacional da Adoção, tivemos a notícia de que estamos habilitados pela juíza. É emocionante! É muita felicidade! Estou me sentindo grávida, mesmo! Uma gravidez de, não sei ainda, quanto tempo. Mas, estou me sentindo grávida!”, disse Ligia.
“Dizer que está realizado é pouco! Não é um sentimento de realização. Eu acho que na vida a gente tem sonhos mas, essa notícia extrapola um sonho realizado. É uma nova direção que a vida toma. Você percebe que é de verdade. Não é mais um sonho nosso. É uma realidade pra gente. Agora eu sou o ator daquele filme, agora”, completou Luiz.

O apoio das famílias
Luiz é filho único, seus pais Marisa Guimarães e Jorge Luiz da Silva estavam presentes no evento. A participação deles está sendo integral pois, mudaram de cidade desde que o filho e nora entraram no processo de adoção. “Sou ‘avótiva’, desde o dia que eles entraram no processo eu e meu marido já começamos participar da pré-gravidez, como avós. Estamos muito felizes com a notícia e motivados. Quando eles falaram que entraram no processo, nós mudamos para Limeira (há três meses) pra ficar mais perto deles. É muito gratificante. Estamos confiantes, porque quando a gente espera com o coração aberto, não gera grandes ansiedades e, se tiver (ansiedade) o amor faz pausar”, declarou a ‘avótiva’ Marisa.

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