cattleya walkeriana

Bate-papo com orquidófilo

As orquídeas constituem uma grande família das plantas angiospermas. Estão distribuídas por todo o mundo e sua beleza e elegância contrapõe, às vezes, a forma rústica em que vivem e podem ser cultivadas. Foram descritas mais de 25.000 espécies e produzidos outros tantos híbridos, por cruzamento de formas espontâneas e cultivadas. Um dos especialista em cultivo das orquídeas é Luiz Nadir Juliato, tem mais de 50 anos de experiência. Sua história com as orquídeas começou ainda criança, nas andanças pela matas, “eu comecei andar pelos matos tinha treze anos de idade (hoje, estou com 75 anos) e um antigo amicíssimo meu (que já veio a falecer) que chamado Ergeu Pelazolio, começamos a fazer coleta nas ribeiras, baixadas de rios e fui me tornando um colecionador. Ultimamente, residia na área urbana e fazia tudo isso no meu próprio quintal. Há quinze anos me mudei para o bairro dos Pires e comecei aumentar a produção, que eu já fazia”, ele conta.

Segundo dados do setor, o mercado de orquídeas movimenta U$20 bilhões por ano, em nível mundial e, R$1,3 bilhão no mercado interno. Só o estado do Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (DERAL) produziu 286 mil orquídeas no ano de 2017, somando um valor bruto de R$8,5 milhões de reais. A produção de orquídeas permite agregar valor às pequenas propriedades, pois não exige grandes espaços e o surgimento de tecnologias de reprodução de orquídeas em laboratório facilitou a produção das flores em escala comercial. As pesquisas visa obter melhoramento genético, preservação de nativas, aprimoramento das técnicas de cultivo em estufa e clonagem. A reprodução artificial pode ser feita por sementes ou pelo meristema, chamada também de clonagem, que consiste em multiplicar as plantas através da cultura de tecidos.

Luiz Nadir Juliat
Luiz Nadir Juliato (clique na foto para assistir ao vídeo completo)

Juliato esclarece que antigamente importava mudas e depois de um tempo começou a fazer clonagem em laboratórios nacionais. “Eu trabalho com plantas em dois nichos de mercado: em primeiro a planta popular (com um volume maior de produção), que se resume a plantas para decoração. Em segundo, a planta exímia para colecionador – com tendência a uma espécie específica, muito conhecida hoje, que é a cattleya walkeriana”, revela. As cores chamam muito a atenção, sua produção é bem diversificada, pois, quem gosta prefere mais um mix de cores. “Não há uma cor de preferência. Porque beleza depende do olho de quem vê”, relata.

Exposições
“No início eu comecei fazer exposições e vendia pelo Brasil todo – cheguei a fazer trinta e oito exposições durante um ano. Forneci no Veiling Holambra e há três anos me desliguei, porque diminui essa produção e hoje os atacadistas que me conhecem vem buscar aqui na minha produção”, diz.
As plantas de coleção tem sua a comercialização realizada pela internet e os orquidófilos colecionadores se deslocam até o viveiro em busca de plantas diferenciadas, especificamente das cattleya walkeriana. “Veja bem, essas espécies, ao longo da minha caminhada, a gente vai se interessando por um tipo ou por outro – isso acontece com qualquer orquidófilo. Tem aquelas pessoas que preferem micro orquídeas, outros que preferem híbridos, outros que preferem espécies. Dentro de cada espécies ainda tem a variedade e tem o orquidófilo que prefere uma ou outra. Eu sempre produzi espécies nacionais e importadas mas, a nível de cattleya – Trianae, Schilleriana, Labiatas. Mas, meu o foco é cattleya walkeriana”, afirmou.

A bancada com a coleção de suas cattleya walkeriana
A bancada com a coleção de suas cattleya walkeriana

Técnica de reprodução
O objetivo da reprodução é obter a cápsula de flor da orquídea, semelhante a um fruto, produz um milhão de sementes, mas apenas 1% a 2% germinam naturalmente, em laboratório, é possível obter 100% de germinação. Juliato ensina, “começamos com a polinização, que é feita de forma que você tira o pólen de uma planta florida. Primeiramente, colhemos a polinea e depois colocamos na parte de baixo da flor (parecido com uma concha), isso vai gerar aqui a cápsula de flor. Depois disso mando para o laboratório e depois de um ano e meio (mais ou menos) vou receber os frascos com as mudas prontas para serem levadas à estufa. Quando saem do frasco elas vêm para os coletivos e daí da para ter uma sequência. Então, um ano para amadurecer a semente e mais um ano e meio de laboratório para depois de quatro a cinco anos ter as flores”, completou.

A exótica Orquídea Bulbophyllum
A exótica Orquídea Bulbophyllum

“Não faço mais importação de mudas porque certos comerciantes nos venderam plantas de alto nível, importadas mas, tem também as pessoas que não são idôneas. Tenho essa planta importada como perfect blush, pagamos caríssimo e ela é uma feiticerinha, nos enganaram. Você investe e tem que ver a origem e a credibilidade do produtor. Outra vez fui enganado, comprei a planta como vini colour e não é, comprei em frasco. Hoje, eu não comercializo planta de frasco, só as minhas porque eu tenho condições de garantir uma planta codificada” afirmou.

Sobre as cattleya walkeriana ele cita ter as walkerianas albas, fantasias, ana rubra, rosê, “é o forte da minha produção em termos de espécies. O que é importante para a walkeriana ter o seu valor comercial é a cor intensa e a forma, observe a largura das pétalas é diferente, observe essa outra que tem quase onze centímetros de tamanho, vai mudando e valorizando para o colecionador”, Luiz Juliato foi falando e não parou mais, além de ser seu meio de vida é um apaixonado por orquideas.

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