Oficina de Bordados “Vó Mathilde”

Oficina de bordados “Vó Mathilde”, onde tudo é lindo!

A história da Oficina de Bordados “Vó Mathilde” traduz os valores e a dedicação do trabalho voluntário do casal Moacir e Mathilde Ferreira Vargas de Campos. Um casal de classe média, tiveram cinco filhos (quatro mulheres e um homem), conseguiram trilhar sua vida sempre dentro dos princípios cristãos e, principalmente baseado no amor ao próximo, realizando o trabalho voluntário no ‘Círculo Operário Limeirense’ – por mais de vinte anos.
Dona Mathilde, antes da fundação do ‘Círculo Operário Limeirense’, e desde a fundação do Dispensário Dom Barreto – fundado por padre Milton Santana – já ensinava as amigas a bordar, visitava e ajudava os necessitados. O grupo de mulheres voluntárias fundaram o ‘Clube de Mães’ com o objetivo de preparar enxovais para os bebês de mães carentes. Nessa época, a filha Maria Luiza, ainda jovem, ajudava no trabalho voluntário organizando palestras para as futuras mamães.
Mesmo afastada dos trabalhos do Dispensário, Dona Mathilde, denominava toda terça-feira, como o ‘Dia de Santo Antônio’. Nesse dia, toda a produção do trabalho manual que a mesma realizava era vendido e a arrecadação reservada para o Natal, daquele ano.

Em outubro de 1984, dias que antecederam o seu falecimento, embora internada, sua maior preocupação era pedir aos seus filhos que não abandonassem ‘seus pobres’, uma vez que ela tinha encaminhado tudo para o Natal daquele ano. Após o falecimento, sua filha Maria Luiza intensificou os trabalhos junto a entidade, como havia prometido à mãe. Por sugestão do então presidente Ismael de Oliveira e da assistente social Silvana Nóbrega, o projeto denominou-se Oficina de Bordados e Artesanato ‘Vó Mathilde’ – em homenagem a sra. Mathilde Ferreira Vargas de Campos.

Em 2001, o projeto voltou-se para o ensino de pintura em tecidos, bordados e artesanatos para as famílias assistidas, tornando uma fonte geradora de renda para as mesmas. Nesta época, o grupo era formado por Maria Luiza de Campos, Dona Neide Hergert Vieira Binotti, suas filhas Mara e Neide Mariza; Dona Antônia Pegorari (atuou por mais de cinquenta anos), e Dona Cezira Pecinin Forster. A ideia inicial não vingou por falta de assiduidade no projeto.

Em 2002, o grupo conseguiu receber a colaboração Cleide Barbosa Kühl, professora de bordados, através do Ceprosom – a experiência atraindo novas voluntárias. Como tinham voluntárias habilidosas foram tocando o projeto. Em 2004, a professora Cleide Barbosa Kühl volta ao grupo como professora e permaneceu como voluntária por muitos anos.

O grupo se reúne todas as quartas-feiras no salão paroquial da Paróquia de São Sebastião. Algumas voluntárias colaboram executando os habilidosos trabalhos em casa. As voluntárias chegam sem a menor noção e tem a oportunidade de aprender costura, crochê, pintura e bordados. São quarenta e cinco voluntárias. A Oficina de Bordados ‘Vó Mathilde’ oferece peças prontas de bordados, pinturas e um enxoval completo para sua casa como toalhas de banho, lavabo, de mesa, pano de prato, guardanapos, etc.

Maria Luiza de Campos, Dona Cezira Pecinin Forster e Carmem Sommer Beduchi
Maria Luiza de Campos, Dona Cezira Pecinin Forster e Carmem Sommer Beduchi

Maria Inês Spanhol faz parte da Oficina há quase dois anos. “Conhecia o grupo porque frequentava a Paróquia e conhecia Maria Luiza de Campos. Quando tive um problema de saúde, descobri um câncer de mama (num exame preventivo, fiz o tratamento), eu já era aposentada e parei de trabalhar mas, queria fazer alguma coisa para me ocupar porque sempre fui uma pessoa muito ativa. Lembrei da Maria Luiza, vim conhecer a Oficina, visitei as mesas das bordadeiras pra ver aquilo que eu gostaria de fazer. Eu tinha praticado uma habilidade manual e fui me apaixonando. A cada dia aprendo um bordado novo, interagindo e, na verdade a gente vem aqui buscar trabalho e carinho. Pra mim foi a melhor coisa que aconteceu”, contou.

A Oficina de Bordados “Vó Mathilde” realiza o “Chá de Bordados” (desde 2002) no mês de julho e o “Bazar” em dezembro. A Oficina comercializa a sua produção o ano todo. Os assistidos são da Paróquia São Sebastião, a arrecadação da venda da produção da Oficina é revertido na compra de fraldas para os asilos João Kühl Filho, Nossa Senhora do Rosário e Cantinho do Vovô.

“Não esperava que fosse dar tão certo ao juntar essas especialistas. A ideia do “Chá de Bordados” foi da Carmem Sommer Beduchi, porque nós não temos muito espaço para guardar as peças prontas – os armários são para guardar os materiais. O grupo ganha muito material, são doações de famílias que perderam uma pessoa querida que bordava e como não darão sequência nos trabalhos artesanais, as doações vem para a Oficina. Nós aproveitamos tudo. Principalmente por causa da criatividade da Carmem”, contou Maria Luiza.

Cleide Stein explica como é feito a definição das peças que vão para o sorteio do ‘Chá de Bordados’, “eu monto 350 bingos, são quatro a cinco peças por cinqüina – ao todo são sorteados mais de duzentos e cinquenta peças. Eu bordei toalha de banquete, para o “Chá de Bordados”, por quatro anos seguidos. Um ano, a toalha tinha uma composição de trinta e seis quadrados bordados por mim, e a Rosemary Crippa produziu mais trinta e seis quadrados de crochê para compor a toalha. Ficou maravilhosa! Quando acontece alguma insatisfação quanto às escolhas das peças para o sorteio a Carmem, como mediadora, deixa passar, na semana seguinte é feito a delegação dos trabalhos e o resultado sempre agrada”, disse.

Maria Luiza descreve o que alimenta o grupo há vinte anos, “o principal objetivo é o Amor ao Próximo, você poder fazer uma ação para ajudar o outro. Essa união, a gente está conseguindo manter. Temos um esquema de seleção para os trabalhos porque o que se produz para o bingo é diferente do que se borda para o bazar. O Bazar têm peças mais baratas para lembrancinhas de final de ano, como toalha de rosto, toalha de lavabo, muitos guardanapos. Esse ano, a mesa do bingo vai sortear dois jogos de toalhas de banho (masculino e feminino) composto por toalha social, tapete”, contou.

Dentre tudo de bom que a ‘Oficina de Bordados ‘Vó Mathilde’ oferece, o grupo de voluntárias tem a honra de contar com a presença (todas as quartas-feiras) de Dona Cezira Pecinin Forster – mais conhecida como Dona Alzira – prestes a completar, seus bem-vividos, 99 anos, ela borda e ensina o bordado livre para as novas voluntárias. Sorrindo, é muito concentrada, conduz os trabalhos. Tem orgulho de ser voluntária ‘desde o tempo do Jurandyr Paixão (ex-prefeito de Limeira)’, quando recebeu uma carteirinha de voluntária dada pelas mãos da primeira-dama Dorothea Pompeo Freire. Segundo Maria Luiza, Dona Cezira trazia a carteirinha todos os dias na Oficina, “ela é da época da minha mãe. Ela fazia o café todas as quartas-feiras e quando eu a aposentei ela ficou brava comigo”, falou.

“Nós trabalhávamos no Dispensário mas, fracassou, depois começamos a bordar. Quem fazia a massa do pastel para a festa do padroeiro era eu, não vencia fazer pastéis, era preciso usar dois cilindros para esticar toda a massa – olhe aqui na mesa a marca do tamanho do pastel. É bonito né! Sobre a pergunta – há quanto tempo está voluntária? – responde sorrindo “nem sei quantos anos!

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