Alessandra Stringheta estreia na política e ganha preferência para assumir a presidência do PSL, em Limeira

Alessandra Stringheta, advogada, casada, mãe de um casal de filhos, foi candidata a Deputada Estadual pelo Partido Social Liberal (PSL) em Limeira e região. Estreante na política partidária, a candidatura lhe rendeu 8.411 votos, o que segundo ela, lhe renderá à presidência do partido PSL em Limeira e consequentemente, irá concorrer na próxima eleição para o cargo de vereadora. Alessandra é um novo nome na política limeirense e, sendo a tese, quando encerrada uma eleição, no dia seguinte inicia-se a próxima, fui conhecê-la.

Alessandra me recebeu em seu escritório, muito bem localizado, por sinal – na esquina da rua Senador Vergueiro com a rua Dr. Trajano – algo muito simbólico para uma mulher que passou a viver a política partidária há alguns meses e já acumula a conquista de votos. Ela diz fazer política desde a descoberta de uma doença rara de sua filha (com 4 anos de idade, a época), quando passou por tratamento no Hospital das Clínicas da Unicamp. Durante cinco anos, foi voluntária através de campanhas de arrecadação de gêneros de primeira necessidade para pacientes que permaneciam internados nesse hospital, “pra mim isso já é ser um político”, afirmou.

Ela é contra o Estatuto do Desarmamento. Frisa não ter porte de armas mas, que está praticando tiro ao alvo (há pouco tempo) e gostou. Revelou que votou em Aécio Neves, presidente, em 2014 e para prefeito de Limeira o voto foi para Mário Botion.

Conheça mais, como pensa Alessandra, na entrevista a seguir:

Você não era filiada a nenhum partido antes da sua candidatura. Porque?
Alessandra Stringheta: Quando eu me formei em direito, trabalhava num sindicato em Jundiaí (SP). Era um sindicato que abrangia doze categorias de empresas terceirizadas. O sindicato é uma política. Mas o partido do sindicato não me representava, nunca me representou. Se, realmente o PT fosse as ideias que fundaram seria um ótimo partido. Tudo descambou e virou o que é agora. Eu nunca me filiei a partido nenhum porque nunca encontrei um partido dessa forma que é agora o PSL. Que acredita que a base é a família. Que tem uma religião. Que é contra a ideologia de gênero. Eu não sou homofóbica. Não sou contra os gays. Eu tenho dois filhos e qualquer um está sujeito a isso. Se algum dos meu filhos, chegar e falar que a opção sexual deles é outra, eu vou amar do mesmo jeito, são meus filhos. Agora, eu não concordo (com o meu filho aos seis anos de idade) que uma escola venha falar que aquilo ali é normal. Isso eu não concordo! Pra mim quem manda na educação dos meus filhos sou eu e meu marido. Porque, eu digo que não é normal. Porque, a família é baseada em quê? A escola prega que a educação é feita na sua casa. Aqui (na escola) ele aprende conhecimento. Então, a educação eu dou em casa. Como é que a escola vem se achar no direito de dizer o que é certo e o que é errado com relação a esse assunto? Pra mim a escola é para aprender conhecimento, e não a educação.

Como se deu a sua candidatura pelo PSL?
Alessandra Stringheta: Como advogada, em 2015, eu trabalhei muito com a fosfoetanolamina sintética ( a “pílula do câncer”). Eu entrei com muitas ações, para pessoas de todo o Brasil e consegui, inclusive em Limeira. Tive sucesso. A Lei (Federal, autorizando o uso) da fosfoetanolamina sintética é de Bolsonaro, de 2016 (e foi barrada no Congresso). Hoje, a fosfoetanolamina sintética é produzida pela empresa PDT Farma em Cravinhos, SP, não mais pela USP, em São Carlos. Hoje, a fosfoetanolamina sintética é comercializado somente para aqueles pacientes que conseguem a liminar na justiça para usar. Não é todo mundo que pode usar. A minha batalha quando eu aceitei ser candidata era exatamente essa e, eu fui convidada pelo partido PSL, porque já sabiam dessa questão.

Qual foi o sentimento e o desafio ao aceitar a candidatura?
Alessandra Stringheta: Eu fiquei surpresa e lisonjeada, lógico! Mas, eu fiquei com medo porque nunca tinha me envolvido com isso e a gente sabe como a política é suja. Suja, porque você não tem apoio de políticos. Aliás, muito pelo contrário. Aqui na cidade (de Limeira) tinha treze candidatos para deputado estadual. A minha ideia quando fui convidada era nos reunir e dentre os treze escolhermos dois candidatos apoiados pelos demais. Eu abriria mão da minha candidatura para Limeira ter a chance de eleger um candidato porque, fazem 22 anos que a cidade não tem um representante na Assembleia Legislativa. Mas o ego existe e ninguém aceitou.

Você afirma que a política é suja. Defina melhor o que entende por política suja?
Alessandra Stringheta: Quando o PSL cresceu com o Bolsonaro, outras pessoas cresceram os olhos com relação à presidência do PSL. O PSL em Limeira está abandonado. Está sem presidente, não tem nada, apenas uma página no Facebook. Quando deu o boom, um monte de ‘urubu’ ficou de olho no partido. Eu fui procurada por um político limeirense queimado na política, querendo sair do partido dele e querendo obter vantagens. Me disse que tinha conversado com o Eduardo Bolsonaro, o que é mentira. A proposta era ele assumir a liderança do PSL em Limeira. Colocaria um ‘fulano’ de presidente, ‘beltrano’ de vice e eu seria a secretaria do partido. Eu falei: Bonito! Eu, a candidata a deputada estadual do PSL em Limeira e, você vem me colocar como secretária? Não é o título que me interessa. E ele deixou claro que não me apoiaria e não me apoiou e, ainda trouxe uma candidata do PSL – SP, para fazer campanha (em Limeira). De repente, tem uma carreata, de repente uma outra candidata na carreata. O mesmo ‘fulano’ que quer a presidência do partido trouxe a candidata de São Paulo. Por isso digo que a política é suja. 

Então, o PSL está em disputa?
Alessandra Stringheta: Disputa não. Agora, foi determinado pela presidência (do partido PSL) em São Paulo, que a presidência é minha, sim! Porque eu estou batalhando por isso. Eu fui a única candidata do partido em Limeira e região e conquistei 8.411 votos, fiquei em quarto lugar na minha primeira candidatura.

Você não investiu tanto nas redes sociais de forma incisiva, como os demais candidatos do PSL. Por que?
Alessandra Stringheta: Eu até sou incisiva profissionalmente. Eu não usei as redes sociais de forma incisiva pelo fato de eu não ser conhecida na política. Eu preferi sair pra rua, para as pessoas me conhecerem, eu andei muito. Tive votos em Ourinhos, Araçatuba, Jundiaí, Ilha Bela, São Vicente, São Paulo capital (quase 700 votos). Em Santa Gertrudes, visitei todas as indústrias cerâmicas e fui muito bem recebida.

O que as pessoas lhe pediram durante campanha?
Alessandra Stringheta: A novidade na política, o novo, a seriedade. É exatamente isso que eu represento agora. Eu nunca fui política. Aí dizem: você não tem experiência política. Experiência política hoje, serve pra que? Pra roubar.

Então, você é o político novo entrando na política suja – como você afirmou anteriormente. O que podemos esperar?
Alessandra Stringheta: Exatamente isso. O novo entrando numa política suja e enfrentar essa política suja, e não ser contaminado por ela. Tanto é que eu disse que a primeira proposta seria baixar o salário dos deputados estaduais e quem é que veio contra? O povo ou os políticos? Os políticos.

Você acredita que o novo político vai fazer a diferença?
Alessandra Stringheta: Joice Hasselmann, jornalista, foi eleita Deputada Federal por SP, pelo PSL, não é política e entrou arrebentando. Então, é uma pessoa que sabe defender ideias mas, que não são políticos. É uma pessoa que sabe defender a ideia do povo. Não a ideia dos políticos. Você vê como o PSL tem uma característica própria com Bolsonaro, Janaína Paschoal, Joice Hasselmann.

Se o povo precisa e quer a fosfoetanolamina sintética você vai atrás de liberar, porque é uma defesa da necessidade do povo?
Alessandra Stringheta: A indústria farmacêutica não tem interesse em liberar a fosfoetanolamina sintética tampouco a Anvisa. Porque a fosfoetanolamina sintética é barata e dá mais retorno perto de uma quimioterapia. Eu defendo a pílula porque eu sei que funciona. Porque eu defendi vários casos de pacientes que usaram e teve redução de até 70% do câncer. E aí vem dizer que não é comprovado? Não se trata de uma pílula milagrosa. Tem as dosagens para ser usada, a forma correta de prescrição. A Fosfoetanolamina sintética vai em cima das células cancerígenas. A quimioterapia vai em cima de todas as células boas e ruins. Tem pacientes que não se dão bem, assim como com a quimioterapia. É preciso um estudo sério para saber a dosagem certa para determinado tipo de câncer. Sem esse estudo é lógico que ela não vai vingar.

As decisões sobre a vida da população está inteiramente nas mãos dos políticos. Você concorda?
Alessandra Stringheta: Sim. Infelizmente, o povo não sabe votar. Olha só! Janaína Paschoal é fera! Mas, ela teve 2 milhões de votos distribuídos para cinco pessoas do PSL. Aqui em Limeira, ela teve 16.227 votos. Limeira continuou não tendo representante na Assembleia Legislativa (Estadual). Isso é não saber votar. Não estou dizendo de votar em mim mas, difundir esses 16.227 votos para outras pessoas aqui da cidade. Com o partido (PSL) aqui em Limeira eu quero trazer para a cidade aulas de política para quem for filiado. Talvez fazer algo voluntário. E sabe quem é que se interessa? Ninguém. Ninguém aparece. Você tem ideia de quantos lugares eu procurei para fazer serviço voluntário como advogada e não aceitam (em Limeira)? Eu vou em determinada igreja e falo: -Olha, eu venho aqui e passo uma manhã de sábado, por exemplo, para atender mães que não sabem como entrar com o processo de pensão (alimentícia). Eu vou instruir essa pessoa. A pessoa da entidade me respondeu: Não. Mas aí, a gente tem que falar com o bispo, com o ‘Zé’, com o ‘fulano’, lá da casa do chapéu. E tem que ter uma autorização. Então, é melhor não fazer. Foram varias instituições que me responderam dessa forma, não só a igreja.

A advogada Alessandra Stringheta e sua secretaria Vera Márcia Velisbom

Mas, você vai ser empossada presidente do PSL em Limeira e como é que vai lidar com esse tipo de assunto?
Alessandra Stringheta: Por exemplo, o feminicídio – o crime contra a mulher – é real. E aí, nós temos o crime contra a criança. Nós temos o crime contra o velho. Nós temos o crime contra o negro. Nós temos o crime contra o pardo. E aí? Nós somos todos iguais ou não somos todos iguais? Eu, hoje, sou uma pessoa que fui candidata à política. Eu me igualo a qualquer outro homem que foi candidato. Eu tive muito mais votos do que qualquer outro homem. E aí? Eu sou uma vítima de alguma coisa? Não. A mulher tem que conquistar o espaço dela. É muito simples ela dizer: eu quero ganhar a mesma coisa que o diretor da empresa. Só que a hora que tiver que trocar o pneu do carro eu chamo o diretor da empresa pra trocar pra mim. Não. Eu troco o pneu. Eu troco o chuveiro da minha casa. Eu não dependo exclusivamente do meu marido. Se o meu marido me faltar vai fazer muita falta, emocionalmente. Agora, de resto eu sei me virar muito bem.

Como você educa seu filho em relação às mulheres (meninas)?
Alessandra Stringheta: Ele deve respeitar. Ele tem o respeito à mulher porque ele tem o respeito com a pessoa, com o humano e com os bichos. Independentemente do sexo, da cor.

Como você educa os seus filhos em relação aos homossexuais?
Alessandra Stringheta: A mesma coisa, humano.

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